Boldo
Plectranthus barbatus Andrews
Folhas aveludadas e muito amargas do boldo-brasileiro, presença antiga em quintais do país; não confundir com o boldo-do-chile, Peumus boldus.
- Amargo
- Herbal
- Terroso
- Tisana
- Sem cafeína

Apresentação
O boldo mais comum nos quintais e feiras do Brasil não é o mesmo que as farmácias europeias chamam de boldo. A planta cultivada aqui, Plectranthus barbatus, é da família da hortelã e do alecrim, e é também conhecida como falso-boldo ou boldo-da-terra. Suas folhas grandes, macias e suculentas liberam, ao serem esfregadas, um cheiro herbal marcante, e muita gente cultiva um vaso dela pelo hábito de ter folhas à mão.
A infusão tradicional é de sabor muito amargo e, por isso, o costume brasileiro é o de uma xícara pequena preparada com uma ou duas folhas, em geral depois de refeições mais pesadas. O boldo ficou associado, na cultura popular, ao pós-almoço festivo, às refeições de família e às receitas de avó.
Existe uma confusão frequente: o boldo-do-chile, Peumus boldus, é uma árvore de outra família, a Monimiaceae, nativa do Chile, cujas folhas pequenas, coriáceas e aromáticas têm monografia em farmacopeias europeias. Embora sejam chamadas pelo mesmo nome popular, as duas plantas têm composição química diferente, e as informações sobre uma não valem para a outra.
Origem
O boldo-brasileiro, Plectranthus barbatus, é nativo de regiões da África tropical e do subcontinente indiano, e foi introduzido no Brasil, onde se adaptou bem a quintais e jardins domésticos. Hoje é cultivado em muitos países tropicais por suas folhas grandes e aveludadas.
Características visuais
Planta herbácea ou subarbustiva de cerca de um metro, com caules quadrangulares, como é típico das Lamiáceas. As folhas são opostas, ovais, grandes, de bordas serrilhadas e cobertas de pelos finos que lhes dão toque aveludado e cor verde-acinzentada. As flores azul-violáceas, pequenas, formam cachos terminais. A folha seca é fina, quebradiça e verde-amarronzada, com aroma herbal e levemente acre.
Aroma e sabor
O aroma é herbal e resinoso, com nota fresca que lembra hortelã escura. O gosto é nitidamente amargo, com adstringência leve e um final seco que persiste na boca. A infusão tem cor âmbar-esverdeada. Muitos preferem fazê-la fraca, acrescentando limão, e há quem a sirva gelada, deixando as folhas em água fria por algumas horas para reduzir o amargor.
Preparo tradicional
As medidas abaixo são de paladar, não de dose. Ajuste ao seu gosto.
| Método | Água | Tempo | Proporção | Como se faz |
|---|---|---|---|---|
| Infusão tradicional | 85–90 °C | 3–5 min | 1 a 2 folhas frescas para 150 mL (medida de paladar) | Coloque uma ou duas folhas frescas, ou uma pequena porção de folhas secas, em uma xícara, cubra com água quente, tampe por pouco tempo e retire as folhas. |
| Infusão a frio | água fria | 3–6 h | 1 folha para 300 mL | Deixe uma folha em água fria em geladeira por algumas horas; o resultado é uma bebida mais leve, de amargor mais contido. |
Presença nas culturas
Brasil
O boldo é planta de quintal em todo o território, presente em vasos urbanos, hortas escolares e canteiros de casas de interior, e é bastante associado à cultura doméstica de chás depois das refeições.
Chile
O boldo chileno, Peumus boldus, é espécie arbórea das matas de esclerófilas do centro do país, cujas folhas são coletadas em escala e exportadas. É uma planta bastante distinta e é identificada com a flora chilena.
África Oriental e Índia
Espécies do gênero Plectranthus são cultivadas como ornamentais e plantas domésticas, e o P. barbatus, também conhecido como Coleus forskohlii, aparece na etnobotânica de diferentes regiões.
Usos tradicionais
Contexto cultural Não é evidência científica
Na tradição popular brasileira, o boldo é associado a mal-estar depois de refeições fartas e à ressaca, e as folhas são preparadas em chás caseiros. Trata-se de registro cultural transmitido em famílias, e não de comprovação de qualquer efeito.
No contexto africano e asiático, espécies do gênero Plectranthus aparecem em usos tradicionais variados. Essas referências etnobotânicas mostram a importância cultural da planta e não equivalem a evidência de eficácia.
O que a pesquisa diz
Evidência científica Com limitações
As folhas do Plectranthus barbatus contêm diterpenos, como a forscolina e derivados abietanos, além de óleo essencial e compostos fenólicos. A forscolina é um composto bastante estudado em bioquímica, mas essa pesquisa envolve extratos e substâncias isoladas, e não se aplica diretamente a uma xícara de chá.
O boldo-brasileiro consta em listas oficiais brasileiras de plantas de uso tradicional, o que reflete história de uso, mas os ensaios clínicos em humanos são escassos. Já a boldina, alcaloide do boldo-do-chile, não é o composto marcante do boldo-brasileiro. As evidências sobre ambas as espécies são limitadas, e as conclusões de uma não podem ser transferidas à outra.
Cuidados e contraindicações
- Gravidez e amamentação. O boldo é desaconselhado na gestação e na lactação, por falta de dados de segurança e por relatos de efeitos sobre o útero em estudos com animais, no caso do boldo-do-chile. Evite.
- Medicamentos. Há alertas sobre possível interação com anticoagulantes e outros medicamentos. Quem faz uso contínuo de remédios deve conversar com profissional antes de consumir.
- Uso prolongado e condições hepáticas. Por serem de gosto amargo, as folhas são de uso ocasional. O consumo diário e prolongado não é recomendado, e pessoas com doenças hepáticas ou biliares devem evitar a planta sem orientação.
- Identificação correta. Confirme se o produto é boldo-brasileiro ou boldo-do-chile, pois as espécies são diferentes e as advertências também. Prefira rótulos com nome científico. Em caso de dúvidas, de condições de saúde ou de uso de medicamentos, consulte um profissional de saúde.
Curiosidades
- O boldo-brasileiro pertence à mesma família da hortelã, da sálvia e do alecrim, as Lamiaceae.
- O boldo-do-chile, Peumus boldus, é uma árvore e nada tem a ver botanicamente com o boldo-brasileiro.
- Plectranthus barbatus já foi classificado sob outros nomes, como Coleus barbatus.
- As folhas frescas, quando esfregadas, liberam um cheiro marcante que muitos reconhecem desde a infância.
Comparação com plantas relacionadas
| Planta | Parte usada | Sabor | Cafeína | Aroma | Amargor | Doçura |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Boldo Plectranthus barbatus Andrews | Folha | Amargo, Herbal, Terroso | Sem cafeína | 3/5 | 5/5 | 1/5 |
| Carqueja Baccharis trimera (Less.) DC. | Folha | Amargo, Herbal, Terroso | Sem cafeína | 3/5 | 5/5 | 1/5 |
| Hortelã-pimenta Mentha × piperita L. | Folha | Refrescante, Herbal, Adocicado | Sem cafeína | 5/5 | 1/5 | 2/5 |
| Alecrim Salvia rosmarinus Spenn. | Folha | Herbal, Amargo, Especiado | Sem cafeína | 5/5 | 3/5 | 1/5 |
| Sálvia Salvia officinalis L. | Folha | Herbal, Terroso, Amargo | Sem cafeína | 5/5 | 3/5 | 1/5 |
Notas de 1 a 5 são avaliações editoriais de intensidade percebida, úteis para comparar, e não medições. Veja mais no comparador.
Veja também
Folhas e raízes
Carqueja
Baccharis trimera (Less.) DC.
Planta de caules alados e sabor intensamente amargo, a carqueja é um símbolo das ervas dos campos sul-americanos, preparada em infusões e decocções.
- Amargo
- Herbal
- Terroso
Ervas aromáticas
Hortelã-pimenta
Mentha × piperita L.
Híbrido europeu de folhas intensas em mentol, a hortelã-pimenta rende uma infusão fresca e vibrante, uma das tisanas mais consumidas do mundo.
- Refrescante
- Herbal
- Adocicado
Ervas aromáticas
Alecrim
Salvia rosmarinus Spenn.
Arbusto mediterrâneo de folhas em agulha e perfume resinoso, o alecrim é tempero de cozinha e infusão de caráter marcante e herbal.
- Herbal
- Amargo
- Especiado
Ervas aromáticas
Sálvia
Salvia officinalis L.
Subarbusto mediterrâneo de folhas aveludadas e acinzentadas, a sálvia rende uma tisana resinosa e canforada, muito presente na cozinha e nos herbários europeus.
- Herbal
- Terroso
- Amargo
Folhas e raízes
Dente-de-leão
Taraxacum officinale F.H.Wigg.
Planta onipresente de folhas dentadas e flor amarela, usada como verdura amarga, em infusão de folhas e em decocção de raiz torrada, substituta do café.
- Amargo
- Herbal
- Terroso
Folhas e raízes
Ginseng
Panax ginseng C.A.Mey.
Raiz de Panax ginseng, emblema das tradições da Coreia e da China, preparada em decocções, chás e bebidas de sabor terroso e adocicado amargo.
- Amargo
- Terroso
- Adocicado
Fontes consultadas
- Royal Botanic Gardens, Kew. Plants of the World Online — Plectranthus barbatus Andrews e Peumus boldus Molina
- Farmacopeia Brasileira (Anvisa) — monografia de boldo
- Anvisa — Instrução Normativa nº 02/2014 (lista de drogas vegetais de notificação simplificada)
- EMA/HMPC. Monografia comunitária sobre Peumus boldus Molina, folha
- Flora e Funga do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro — Lamiaceae
Critérios em Critérios de pesquisa e uso de fontes. Termos técnicos no glossário. Última revisão: 23 de outubro de 2026.





